[Atualização no final do post]
Sou estudante do curso Análise e Desenvolvimento de Sistemas e quanto mais eu vivencio o meio acadêmico na faculdade UNA, mais percebo o quanto este meio pode ser controverso.
Minha última experiência negativa nesta faculdade está relacionada a uma atividade acadêmica que a UNA denomina “Projeto Aplicado”.
O Projeto Aplicado consiste em um trabalho de pesquisa similar a uma monografia, de dificuldade de elaboração e critério de avaliação proporcionais ao período no qual o aluno se encontra. Até este ponto, tudo bem, é uma idéia muito válida, que possibilita aos alunos aprimorarem suas técnicas de pesquisa e produção acadêmica ao longo do curso, preparando-os para um futuro MBA, Mestrado, etc.
O problema no Projeto Aplicado da UNA está em algumas regras que regem o desenvolvimento do trabalho. Uma dessas regras rege que os grupos criados para o trabalho tenham, no mínimo 5 participantes, e é ai que a contradição reside. Muitos demagogos, quero dizer, pedagogos, acreditam que forçando trabalhos com grandes grupos de alunos estarão facilitando a interação entre as pessoas, a troca de conhecimento e outros conceitos tão bonitos na teoria (mas que falham fundamentalmente na prática), mas estão, na verdade, limitando a possibilidade de elaboração de projetos reais, que requerem dedicação e empenho que poucos alunos querem dedicar, e que poderiam ser absorvidos pelo mercado e muitas vezes pela própria IES.
Curioso como a UNA, que em seus cursos tecnológos se gaba tanto de fomentar o conhecimento prático e trazer a experiência do mercado para a sala de aula, acaba indo diretamente na contramão desses objetivos. Explico. Eu possuo uma modesta empresa de desenvolvimento de sistemas e estaria, nesse semestre, avaliando a experiência de desenvolvimento de um software avançado para EaD(1) com um colega de curso (que será, em breve, sócio nesta modesta empresa) e este projeto poderia, facilmente, ser utilizado pela UNA ou por qualquer outra instituição de ensino.
Por não permitir um grupo com somente 2 participantes, a UNA nos obriga a “engavetar” nossa idéia de projeto, já que não poderíamos ter mais pessoas envolvidas no desenvolvimento deste software por questões de direitos autorais, propriedade intelectual, entre outros.
Com posturas como esta, ao invés de aproximar o aluno do mercado de trabalho, a UNA inviabiliza potenciais projetos inovadores que nasceriam dentro de seus campi (e que logo seriam propaganda para a própria IES), rechaça mentes empreendedoras e reafirma a triste idéia de que a maior parte do mundo acadêmico ainda está a anos-luz de distância do mercado, principalmente do inquieto e inovador mercado de TI.
Sorte nossa que Larry Page e Sergey Brin(2) não estudaram na UNA…
[Atualização em 19-02-2009]
Após um mal começo com a UNA, ontem tive uma agradável surpresa. O coordenador do curso e a IES se mostraram realmente interessados em resolver o problema e tentaram, de todas as formas, gerar grupos que permitissem quaisquer quantidade de alunos, a despeito do manual que rege o Projeto Aplicado. Infelizmente o total de grupos passou de 10, inviabilizando o trabalho da banca avaliadora, e acabamos tendo que abortar a idéia inicial de nosso projeto. Entretando, esta mudança na postura e espírito de colabração (ainda que poderiam ter sido demonstrados desde o começo evitando assim desgastes desnecessários) mostram que a UNA está atenta as necessidades dos alunos e do mercado. Ponto para a UNA.
(1) EaD – Educação à Distância
(2) Larry Page e Sergey Brin são os fundadores do Google, uma das maiores empresas do mundo. Dois estudantes que iniciaram um projeto de software, que viria a ser o maior motor de buscas da internet, como um trabalho acadêmico. Irônico, não?